É possível viver fora da rede?

Pense na sua casa: está ligada às redes elétrica, telefônica, de internet, de TV a cabo, de água e esgoto, de recolhimento de lixo, de entregas postais, de fornecimento de alimentos, de transportes e mobilidade urbana. Praticamente todos esses serviços são monopólios. E com as empresas que as fornecem só há um meio de relacionamento: ou paga, ou não tem. Talvez a única exceção seja a rede de alimentos, em que há diversas possibilidades de trocas e aquisições.

Sempre houve aqueles que abandonaram as cidades e conquistaram certa independência, a custo de pouco ou nenhum conforto, e isolamento social. Contudo, o jogo está mudando e cada vez mais pessoas estão experimentando a vida fora da rede sem abrir mão de forma total de algumas benesses do meio urbano. E até com certo conforto (sem excessos). Novas tecnologias e conhecimentos estão à disposição a um custo relativamente acessível. Certamente, é necessário alterar alguns hábitos e estar aberto a novas experiências. E colocar a mão na massa.

Aqui mesmo, no Jardim do Mundo, há diversos exemplos de como viver fora da rede: construa você mesmo uma casa de 600 reais, produza biodiesel caseiro ou faça seu próprio champanhe. Para uma noção mais completa de uma vida fora da rede, conheça a permacultura.

As preocupações básicas para viver fora da rede são: moradia, acesso a água potável, produção de alimentos, produção de energia elétrica, tratamento de resíduos (lixo e esgoto), transporte, rede de contatos e geração de renda. Cada uma pode ser satisfeita com emprego de dinheiro, conhecimento ou criatividade. Algumas sugestões:

Para moradia: técnicas de bioconstrução como adobe, superadobe, cob, pau a pique, bambu. São casas baratas, sustentáveis e muito bonitas. Outra possibilidade é o reuso de ônibus, caminhões ou trailers que não rodam mais.

Acesso a água: captação de água da chuva, poço, mina, cisterna, bombeamento elétrico, eólico ou manual etc.

Produção de alimentos: produção orgânica baseada em design de permacultura, agrofloresta, criação de animais, poço para criação de peixe.

Produção de energia elétrica: eólica, solar, miniusina hidrelétrica, gerador movido a biodiesel de óleo caseiro, gerador movido a gás advindo de um biodigestor com uso de dejetos animais.

Tratamento de resíduos: reciclagem, compostagem, fossa ecológica, tratamento de águas cinzas com bananeiras.

Transporte: animais, bicicleta, automóvel movido a biodiesel de óleo de cozinha.

Rede de contatos: radioamador, internet via rádio, aluguel de caixa-postal.

Geração de renda: venda de excedentes de alimentos, de matéria-prima ecológica, de materiais reciclados.

Todos esses exemplos são possibilidades reais e já estão disponíveis.

design permacultura

Permacultura: um design especial e harmônico com o uso da terra

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Tratamento de águas cinzas

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Capitação de água da chuva

Biodigestor

Biodigestor para alimentar um gerador de energia elétrica

Para finalizar, uma lembrança: viver fora da rede não significa viver em total isolamento. O homem é um ser sociável e precisa de um mínimo de contato social para satisfazer outras necessidades: culturas, amizades, troca de saberes etc. Sempre haverá um agrupamento humano por perto de quem decide viver fora da rede.

Tem 34 anos, carioca do Cachambi, pai do pequeno Renzo e marido da Bu. Já brincou de ser e fazer muitas coisas, e aguarda novas experiências. Anda de bicicleta pelas ruas da Região Oceânica de Niterói. Sonha em viajar o mundo e mostrar ao filho que há coisas mais valiosas que “ser alguém na vida”.

www.jardimdomundo.com

16 opiniões sobre “É possível viver fora da rede?

  • Reply Steffany Alves 25 julho, 2014 at 2:55

    Acho maravilhoso esse estilo de vida, e as pessoas estão tão acostumadas com tecnologias e “tudo na mão” que se tornaram preguiçosas.. são poucas as pessoas que adotam esse modo de viver!

  • Reply willian 1 novembro, 2014 at 0:04

    Excelente..

  • Reply Maria 23 dezembro, 2014 at 20:50

    Assunto interessante!

  • Reply francisco aderson 10 fevereiro, 2015 at 13:27

    muito bacana,vou fazer o de aguas cinzas no sitio.

  • Reply Débora Cecília 28 março, 2015 at 22:14

    Muito interessante.

  • Reply Ana priscila sabadine moreira 29 março, 2015 at 11:49

    Estamos procurando viver desta maneira, estamos no rio de janeiro em campo grande mais precisamente, e estamos procurando um local onde a vida ainda passe sem maiores percalços. e enquanto estamos aqui, ministramos cursos de introdução a agro floresta e permacultura urbana e captação de água de chuva. Estamos precisando de socorro para acharmos uma cidade ou gente que interaja com esse mesmo proposito. Acredito que a providencia do universo nos põe em contato com os afins, Se puder nos ajudar contem com nossa eterna gratidão.Priscila Sabadine e Carolina Assad.

    • Reply Eva Espindola 11 fevereiro, 2016 at 14:39

      Olá estou também buscando parcerias Já escolhi e adquiri um pedacinho de chão em área turística façam contato.

      • Reply Sarah Germano 8 agosto, 2016 at 13:09

        Olá, Eva! Gostaria também de maiores informações. Grande abraço ! Sarah

  • Reply Fa+bio 29 março, 2015 at 17:44

    O título do artigo não condiz com o conteúdo do autor.
    Totalmente dentro da rede/sistema.

    • Reply Jardim do Mundo 30 março, 2015 at 7:14

      Ola Fabio,
      Obrigado pelo contato. O questionamento da matéria não tem a pretensão que você acreditou ter, assim como alguém que pesquisa a cura para uma doença não necessita, necessariamente, ser portador da mesma. O seu comentário, que aparentemente, pretende desqualificar o autor, não muda o fato do trabalho do mesmo ser uma contribuição e um convite para milhares de leitores deixarem sua arrogância de lado e promover, passo a passo, uma mudança social e pessoal.

  • Reply Teça 29 março, 2015 at 18:55

    O pessoal da ilha Bougainville já ta na prática, vide o documentário “the coconut revolution”.

  • Reply Gunnar 30 março, 2015 at 23:24

    “Praticamente todos esses serviços são monopólios. ” Por quê será? E por quê será que com o mercado de alimentos é diferente? Uma dica: verifique quão estatizado é cada um desses setores. http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1309

  • Reply marcelo roberto 2 maio, 2015 at 21:14

    deem uma olhada no sisteminha embrapa que vai ser legal para vocês que escrevem aqui e depois não esqueça de passar adiante

  • Reply tchelo 11 fevereiro, 2016 at 18:00

    Acredito que a proposta aqui colocada, antes de mais nada, é nos voltarmos para a questão humana, social, ecológica; é tentar enxergarmos os mecanismos de forma mais profundamente centrada no que nos rodeia, com sensatez, ou invés de visar o lucro, comércio, exploração, especulações, e etc….

  • Reply Alysson 8 agosto, 2016 at 17:11

    Acredito que ter acesso a água potável e também dispor de agua para a agricultura seja o mais caro e mais dificil de se estruturar. No caso, deveria ser feito um poço comum, ou do tipo artesiano?

  • Reply Ingrid R. Paiva 31 agosto, 2016 at 16:07

    Só um ponto que merece (meu) questionamento, nas sugestões de transporte o primeiro item é “Animais”. Vejo como um retrocesso o uso de outros seres vivos para uma função que já possui outras alternativas. Lembrando que em algumas áreas urbanas, de diferentes estados brasileiros, o uso de animais para transporte, principalmente de carga, é ilegal. Imagino que a sugestão não seja para carga, e sei que a ideia de uma ecovila se distancia do que conhecemos como “urbano”, mas não pude deixar de pontuar a minha discordância com esse item. Enfim, é isso. Um grande abraço e parabéns pelo blog.

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