A solitude musical de Beck Hansen

Uma coletânia comentada

Um artista completo ou mesmo um completo desconhecido. Beck Hansen (nascido Bek David Campbell, 1970) é um cantor, compositor e multi-instrumentista americano, conhecido pelo nome artistico Beck (“no Jeff”). Essa bela voz melancólica, tornou-se logo um favorito, tanto por sua interpretação vocal (por vezes mesmo apática) como pela criatividade presente em suas composições, nas muitas colagens de sons e ainda mais pela qualidade de um trabalho que, em grande parte, foi desenvolvido de maneira quase auto-suficiente e ao mesmo tempo totalmente multifacetada.

Misturando Blues e Rap, Soul e Punk Rock, Folk e MPB (sim, Beck assina varias canções que mostram sua admiração pela musica brasileira, como O Maria e Tropicalia do álbum Mutations de 1998), o artista chegou mesmo a participar de um tributo ao Caetano Veloso interpretando Michelangelo Antonioni, em um álbum marcado por grandes nomes como Jorge Drexler, Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante, Tulipa Ruiz, Devendra Banhart, Seu Jorge e Sergio Dias.

Seu caldeirão de influências foi tomando forma enquanto Beck seguia batalhando em empregos de segunda categoria e morando de favor, dormindo em sofás alheios. O primeiro fruto de sua ainda nascente carreira musical é o single MTV Makes Me Want to Smoke Cracks. A tiragem era limitadíssima e os objetivos, além de registrar o seu trabalho, era puramente promocional e não comercial. Mais alguns singles depois surge o “Loser”, a cancão que iria mudar a carreira de Beck para sempre. Loser tem um tom de sitar ao fundo e um pesado slider Blues que acompanha um vocal Rap.

O trabalho de Beck conquistou a crítica que considerava “Loser” um hino da ‘slacker generation’ (ou geração da preguiça ou relaxada, uma variação do termo “generation x”, muito usado nos anos 90, que denominava uma geração marcada pela apatia).

Por esse caminho, em um ritmo mais enérgico,  a musica Devil Haircut (Odelay, 1996) pode ser um ótimo tema para uma noite mais animada e dançante, assim como Round the Bend (Sea Change, 2002) pode ser acompanhamento para um dia mais reflexivo e intimista, e ambas as musicas são um exemplo da multiplicidade de humores que aparecem nas composições de Beck Hansen.

Com lampejos de um grande clássico e também meu predileto, o album Sea Change (2002) possui todo o conjunto para tornar-se uma obra prima da musica moderna. Uma ode a solidão preguiçosa, o álbum parece atravessar por uma amarga tarde de saudades ou simples isolamento. As melodias melancólicas e introspectivas contam com a influência do folk britânico de Nick Drake e mesmo Donovan. Os arranjos são impecáveis, misturando a simplicidade de violões acústicos com belos arranjos de cordas e discretos efeitos eletrônicos.  Simplesmente imperdível. A faixa It`s all in your mind pode ser um ótimo exemplo das surpresas que se pode esperar em Sea Change que definitivamente deve entrar para a sua play list.

Se você gostou continue escutando Beck clicando aqui.

A vida é um acontecimento extraordinário para ser passado sem um propósito, aqui queremos inspirar a mudança, a conexão com os ciclos da natureza, o resgate dos saberes ancestrais e manuais. Vamos juntos por esse caminho descobrindo que tudo que precisamos já está em nós mesmos.

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3 opiniões sobre “A solitude musical de Beck Hansen

  • Reply joe 17 janeiro, 2013 at 22:10

    Gênio!

  • Reply Aldemar Borges Junior 19 novembro, 2013 at 11:16

    Excelente musico! embora fuja um pouco do q estou acostumado, vale a pena ter cds dele na coleção…muito versátil, som agradável! obrigado pelo post!

  • Reply Meline 24 outubro, 2014 at 2:06

    ele tbm participa da trilha sonora de Scott Pilgrim
    e é muito bom <3

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