Agrofloresta – 50 kg de alimentos em 100m quadrados

Agrofloresta antes depois

O sistema agroflorestal, também conhecido como SAF, vem se popularizando cada vez mais; parte disso é pela grande variedade e quantidade de alimentos orgânicos que podem ser produzidos em um pequeno espaço, além do mais, o sistema agroflorestal pode trazer vários benefícios para o solo, enchendo-o de matéria orgânica e húmus.

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O que é agrofloresta?

Bem, a agrofloresta consiste basicamente em agregar árvores frutíferas, arbustos e hortaliças em meio à flora natural, evitando ao máximo o desmatamento e se aproveitando dos recursos naturais. Essa forma de coexistência com as plantas nativas possui uma série de benefícios, entre eles:

  • Grande quantidade de matéria vegetal no solo;
  • Variedade de alimentos produzidos em um espaço limitado;
  • Redução expressiva do desmatamento da fauna local;
  • Redução no uso de defensivos agrícolas que podem ser prejudiciais ao solo.

O sistema agroflorestal vem se mostrando como uma alternativa mais sustentável no meio rural, por tornar-se a principal fonte de renda e alimentação de muitas famílias que usam a terra como sustento.

Com a popularização das técnicas utilizadas nas agroflorestas, muita gente está começando a aderir à essas práticas no meio urbano, em seus quintais, que por muitas vezes, não possuem qualquer tipo de vegetação, utilizando bons métodos, conseguem produzir uma enorme variedade de alimentos orgânicos no próprio quintal.

Caso de sucesso

Existem pessoas que conseguem, com sucesso, fazer um projeto de agrofloresta em um espaço pequeno e fazer colheitas incríveis, como a Nathália Machado, que colhe até 50kg de alimentos por mês no quintal da própria casa.

Bióloga, Dra. em Ecologia e Evolução, Nathália Machado tem diversos projetos que visam ensinar as pessoas a melhor utilizar os espaços urbanos e coexistir de maneira mais consciente.

Um destes projetos é a horta agroforestal, baseada nos princípios do pesquisador suíço Ernst Gotsch, que ensina a utilizarmos o solo de maneira mais eficiente. Através da multicultura de espécies podemos colher diversos tipos de hortaliças e frutas aproveitando diferentes ciclos de crescimento e colheita.

Em resumo, agro remete a horta e floresta remete, a árvores. Nesse caso, a árvores frutíferas! O sistema de plantio é organizado de maneira que cada planta respeite o espaço uma da outra, criando uma rotatividade de colheita e uso do solo. Como não se tem uma monocultura, a diversidade de espécies cria um controle biológico natural. Segundo Nathália, esse formato de plantio facilita e muito a manutenção da horta. Nathalia conta que, após o plantio, a manutenção só exigiu 15 minutos de dedicação diária. E que boa parte dessa dedicação é para colher os frutos e hortaliças.

agrofloresta

Na Agrofloresta da Nathália tem mandioca, brócolis, alface, rúcula, alho poró, beringela, temperos, coentro, manjericão e uma série de frutas do cerrado.

Por onde começar?

O primeiro passo para começar nosso projeto de agrofloresta é o planejamento. Quando vemos uma agrofloresta pode parecer tudo muito caótico, mas existe uma organização ali.

Por exemplo, existem plantas que crescem muito rápido, porém precisam de muito sol, existem também árvores que são frondosas e podem impedir o sol de chegar nas plantas mais baixas, então é necessário conhecer a estatura e características individuais de cada árvore, arbusto ou hortaliça para depois começar a posicionar suas mudas e sementes.

Além do mais, devemos conhecer o terreno em que vamos começar nosso sistema agroflorestal. Saber quais plantas nativas ocupam ou ocuparam originalmente esse ambiente pode ser essencial para saber como vai ser o processo de desenvolvimento das plantas.

Por exemplo, existem plantas que crescem muito rápido, porém precisam de muito sol, existem também árvores que são frondosas e podem impedir o sol de chegar nas plantas mais baixas, então é necessário conhecer a estatura e caract

Existem diferentes filosofias de produtores rurais em relação às agroflorestas, alguns gostam de preparar bem o solo, arar, usar cal para regular o PH, fertilizar o terreno antes de começar. Outros gostam de deixar o próprio ambiente se regular, interferindo o mínimo possível no equilíbrio natural.

Essas duas formas podem dar certo, mas devemos nos certificar que você conhece as plantas que você utilizará na sua agrofloresta, isso pode nos poupar tempo e esforço.

Uma dica, para o caso de estarmos tratando de um espaço que tenha alguma vegetação nativa, é pesquisar sobre as espécies que estão lá, pois podemos achar plantas alimentícias e frutas as quais não conhecemos, vale a pena dar uma olhada.

|Leia mais: 3 documentários com Ernst Götsch – o guru da agrofloresta|

Escolhendo as plantas

Inicialmente, é importante plantar de tudo, temos que ter em vista que nem tudo o que plantarmos vai ”vingar”, então plante todo tipo de semente e mudas, e vá substituindo as que não conseguirem se desenvolver.

É bom plantar muitas mudas e sementes de plantas que crescem mais rápido, como hortaliças. Algumas árvores podem demorar anos para dar o primeiro fruto, enquanto essas árvores crescem, transformando nosso espaço numa verdadeira agrofloresta, as hortaliças e arbustos que se desenvolvem e se transformam em alimento mais cedo já podem ser colhidos.

Tenhamos em mente o quanto as árvores vão crescer, e se a sombra delas vai afetar o desenvolvimentos de outras plantas menores. Isso acaba criando uma rotatividade, uma variação do que plantamos na nossa agrofloresta.

Queremos criar um espaço com todo tipo de plantas, árvores cítricas, trepadeiras, arbustos frutíferos, árvores nativas, hortaliças a variedade é importante para que haja um equilíbrio da agrofloresta, e com o tempo, surgirão espécies provenientes da regeneração natural da flora local.

Processo de poda

A poda é importante para que a matéria orgânica sempre esteja presente no solo da nossa agrofloresta, assim, os nutrientes das folhas mortas estarão voltando para o chão. Uma boa camada de cobertura morta é essencial para fertilizar o solo, então tenhamos isso em mente.

Além do mais, vai permitir que mais luz chegue às plantas que são mais baixas e estão sendo cobertas pelas árvores mais altas do nosso pomar.

Serrapilheira ou camada morta

Monitoramento e cuidados

Uma vantagem do sistema agroflorestal é que ele nos permite ter um contato próximo com nossas plantas, sempre monitorando e reconhecendo as particularidades de cada espécie. O ideal é que se torne um hábito entrar na nossa agrofloresta para ver como ela está se saindo, ou seja, se precisa de mais matéria vegetal no solo, se formigas estão atacando os vegetais, se existe algum inquilino peludo se deliciando com nossas frutas, esse tipo de coisa.

Com o tempo vamos aprendendo como lidar com as adversidades, de preferência evitando interferir no equilíbrio natural do ambiente. Se o problema for algum fungo, algum inseto nocivo, existem caldas que podem ser usadas para contornar essa situação, elas podem ser feitas em casa e são, em geral, bem menos nocivas que a maioria dos defensivos agrícolas existentes e oferecidos no mercado.

Colheita

Cada planta tem sua época de floração, época de dar frutos, então a colheita acaba se tornando um processo sem fim, uma variedade enorme de alimentos podem ser colhidos com frequência.

Se possível, jogue os restos das frutas e verduras produzidas na agrofloresta de volta no solo da área, assim estaremos devolvendo a matéria orgânica para o solo que a originou, dando assim, início a um novo ciclo. Na medida que o ciclo de uma planta acabar, plante outra no lugar, uma boa ideia é substituir por outra, variar nas escolhas é perfeito para o sistema agroflorestal.

A vida é um acontecimento extraordinário para ser passado sem um propósito, aqui queremos inspirar a mudança, a conexão com os ciclos da natureza, o resgate dos saberes ancestrais e manuais. Vamos juntos por esse caminho descobrindo que tudo que precisamos já está em nós mesmos.

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